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Type Working Paper
Title Praia, cidade partida: apropriação e representação dos espaços
Author(s)
Publication (Day/Month/Year) 2011
Abstract
Desde a revolução francesa que as cidades são vistas como espaços de democracia e de
cidadania, espaços de civilização e o lugar por excelência da afirmação do espaço
público (Innerarity, 2010). Actualmente, o debate sobre o impacto da globalização
económica e cultural nas cidades leva-nos a pensá-las como uma organização espacial
fragmentada, onde grupos dominantes controlam a maioria dominada através da gestão
planificada e privatização dos espaços a partir de políticas “excluidoras”.
Procuramos expor neste artigo as implicações sociais que as estruturas sociais
dualizadas podem trazer às sociedades – à sociedade praiense, analisando as práticas de
ocupação dos territórios urbanos e a sua relação com o surgimento de comportamento
grupal juvenil delinquente, bem como as representações dos bairros para os seus jovens,
sentido como um espaço comunitário de convivialidade e aprendizagem e da Cidade da
Praia, espaço urbano em transformação, marcado pela emergência de uma nova ordem
sócio-espacial, assente na desigualdade social e pobreza urbana. Instigamos, também,
uma reflexão sobre as repercussões que uma possível substituição do modelo sócioespacial
da cidade morabeza, um lugar de integração (Innerarity, 2010), caracterizada
por mecanismos dissimuladores de distâncias sociais, pelo modelo sócio-espacial da
“cidade partida”3
(Ventura, 1994), assinalada pela segregação espacial, agregação
selectiva, onde vigora a lei do mais forte, lugar em que a violência – física e/ou
simbólica – nos é apresentada como a forma de relação social por excelência.

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